Para piorar ,o adversário era o duro time italiano, uma potência. E o São Paulo foi colocado mais uma vez como azarão. Ninguém acreditava que uma equipe brasileira pudesse vencer uma europeia naquela época. Mas o nosso time já estava acostumado, porque havia vencido o Barcelona no ano anterior, e não dava muita importância para esses comentários.
Nos concentramos no que tínhamos de fazer, era o jogo da vida, porque não tinha outro, não poderíamos cometer erros. A concentração era tremenda, total, e sabíamos muito bem o que tínhamos de fazer e fomos para o campo para encarar o Milan de igual para igual.
Os atacantes do time italiano nem tentaram nos provocar. Não havia espaço para brincadeira, intimidação. Eles procuraram nem olhar muito na minha cara, porque eu estava com uma cara de mau mesmo. Eu lembro que não perdi nenhuma bola pelo alto e também estava firme por baixo.
Esqueci até o tornozelo machucado. Ador estava ali, mas fui para o tudo ou nada, para o sacrifício mesmo. Encarei aquela dor como se ela não estivesse presente. Nós conseguimos fazer 1 a 0. O Milan empatou. O jogo ficou muito duro. Conseguimos a vantagem novamente, mas o Milan empatou logo depois.
O jogo estava tenso para caramba. A qualquer momento um ou outro poderia fazer o terceiro e aí não daria mais tempo de recuperar. A sensação era essa. A partir do momento em que a sorte mostrou que estava do nosso lado e o Müller fez aquele gol, falei para os outros jogadores que havia acabado, que não iríamos tomar mais gols.
Fomos pressionados, mas todo mundo estava bem naquele dia, muitos se sacrificaram pela equipe. O Cafu estava com problema no ombro, o Doriva, com lombalgia e o André estava com dor no púbis. E eu com o tornozelo baleado. Foi o jogo da superação e vencemos uma grande equipe que era o Milan.
Não esqueço daquele jogo porque eu era o capitão do São Paulo e realmente tive uma atuação muito boa. Na parte defensiva, na marcação, na cobertura, eu fui impecável. Lembro até que muitas pessoas da imprensa disseram que eu deveria ter ganho o prêmio de melhor do jogo, mas ele acabou indo para o Toninho Cerezo, que era o mais velho do time e que havia feito um gol.
Nada mais justo do que o Mestre, como nós o chamávamos, ganhar o prêmio. Eu não estava muito preocupado com isso. O importante ali foi conquistar o título.
Quem é Ele?
Ronaldo Rodriguez de Jesus, Nasceu no dia 19 de Junho de 1965, Em São Paulo, e começou sua Carreira no Rio Preto. Depois o Zagueiro foi para o São Paulo, Ainda defendeu o Flamengo, Santos, Coritiba e Ponte Preta. O Ex Zagueiro foi Campeão Mundial de Clubes pelo São Paulo em 1994, Contra o Milan.
Por: Vinicius Cardoso
Twitter : @_VemComigoV
0 comentários:
Postar um comentário